| |
| |
| |
Artigos |
+ A força resolve?
|
Eu tenho direito de forçar a barra? |
| |
A tal da culpa. A culpa trava o diálogo e impede o tratamento. Faz com que a família e o dependente percam o foco. Problemas do passado são evocados para justificar a situação atual. Sim, talvez eles de fato tenham interferido e muito provavelmente terão de ser abordados e resolvidos futuramente.
Os filhos não aprenderam o que é se frustrar.
Fora de casa, porém, eles percebem que não podem simplesmente ser o que querem. Eles se frustram, mas nunca tiveram que lidar com isso. Consumir drogas pode vir a ser uma solução para alguns. No fundo os pais percebem que deveriam ter ensinado isso aos filhos antes, mas agora é tarde... Vejamos algumas saídas para esse exemplo, todas baseadas na culpa: |
| |
1. Fiz tudo por você e agora veja no que tornou. A família culpa o filho e se exime de qualquer responsabilidade pela sua situação atual. O dependente recebe dos pais um julgamento (pais não julgam, juízes sim), mas continuam a receber toda a proteção (sem limites) que sempre tiveram para tudo o que fazem (ainda que tais atitudes vão de encontro aos princípios dos pais). Essa dupla mensagem esvazia qualquer autoridade. Não há mais respeito possível. |
| |
2. Não tolero mais esse tipo de comportamento. Outra distorção bastante utilizada. A família consegue combater os comportamentos da dependência, sente-se aliviada da culpa, mas pensa que sua responsabilidade limita-se a limitar... Em casos extremos não hesitam em expulsar o dependente de casa, para que ele possa sentir as conseqüências do seu comportamento. Acontece que os limites entre autoridade e autoritarismo são muitos tênues nessas situações e a fronteira quase sempre é ultrapassada. Corre-se o risco de transformar o dependente em vilão. Uma atitude firme da família é fundamental, mas é importante que ela não se esqueça de apontar para o dependente. |
| |
3. Sou o culpado por ele ser assim. A família se culpa por não ter colocado os limites necessários e fica sem forças para dialogar com o dependente. Como se alguém, tão culpado e tão frágil, fosse tão poderoso e forte a ponto de influenciar por si só a vida do outro. O dependente ganha com isso um poder e uma força com os quais não consegue lidar: a família é a culpada e ele é a vítima. Qual a indenização que caberá a vítima? Por essa visão, tampouco haverá maneiras para se estimular um tratamento.
Mas se a preocupação em achar um culpado for deixada de lado... Talvez assim fique mais fácil sanar as falhas que contribuíram para o surgimento da dependência! Não haverá mais culpados, mas sim pessoas dispostas a assumir responsabilidades voltadas para uma mudança de atitude!
|
| |
Se a falta de limites foi importante para o surgimento da dependência (como no exemplo acima), colocar limites nos comportamentos relacionados à dependência significará que a família estará disposta a agir diferente, de um modo mais saudável. Isso não só aproximará mais o dependente da recuperação, como também criará um novo elo entre esse e os membros de sua família.
Aquele que parte do pressuposto de que existe culpa, acaba por não se sentir no direito de forçar nenhuma situação. No entanto, há aqueles que se preocupam em investigar o problema, discutir as mudanças possíveis e assumir sua cota de responsabilidade para a atingi-la. As chances de sucesso aumentaram sensivelmente. |
| |
| |
|
|
| |
|
|
|
| |
|
|